Hoje falaremos sobre aquele tipo de jogo que você joga e acha bom.
Mas acha bom, não porque o jogo era realmente bom, e sim porque você não tinha opção de jogos melhores, e com isso o jogo em questão se tornou um clássico, pois assim como você, existiam outras milhares de pessoas que também eram obrigadas a jogar este tipo de jogo e ele acabou sendo conceituado como bom.
Confuso? Coloque sua roupa de mergulho e vem comigo, pois irei submergir seu cérebro com vários litros de Seaquest.
Nunca entendi a imagem acima direito. Primeiro porque não tem tubarão no jogo, e segundo que esse submarino mais parece uma bixona.
OK!
Seaquest, pra quem não sabe, foi um jogo produzido por Steve Cartwright em 1982 e publicado pela Activision mais tarde em 1983 para o Atari 2600.
O Atari 2600 era o videogame do momento. Várias produtoras como a SEGA, Nintendo, Namco, Konami e Activision produziam jogos para ele, e ele reinava soberano até 1983.
Não vou entrar em detalhes do que aconteceu em 1983, mas foi em 1983 que o Atari começou a ser comercializado aqui no Brasil. O que eu realmente quero dizer sobre o ano de 1983, é que na época de Seaquest, o Atari era "O Videogame" em um mercado onde praticamente não existiam concorrentes para ele. Ele era a única opção realmente boa para pessoas que queriam poder jogar videogame fora dos fliperamas.
Porem o Atari tinha uma grande limitação: Ele possuía tanto poder de processamento quanto um microondas comum.
Ou menos.
Esqueçamos o Atari por um momento, e voltemos as luzes do holofote para o criador do jogo.
Steve Cartwright é um americano que criava jogos de computador e videogame.
Ele era um dos melhores trabalhadores da Activision original, onde deu a bunda por longos oito anos em troca de uma paçoquinha e dois chicletes.
Em um ensolarado e belo dia a Eletronic Arts viu o seu potencial, e ofereceu alguns dólares para que ele produzisse jogos para ela.
Steve não sabia o que era dinheiro, e ficou inseguro de ir para Eletronic Arts, afinal a Activision oferecia agora não uma paçoquinha, mas sim DUAS paçoquinhas!
Mas isso não foi o suficiente para segurar o pobre Steve que começou a trabalhar em um titulo conhecido como Tiger Woods, onde ficou rico e adquiriu 70% da Glu Mobile que é outra empresa desenvolvedora de jogos.
Hoje em dia Steve pula em seu cofre de paçoquinha no melhor estilo Tio Patinhas.
Steve mostrou o que um cara pode fazer em um equipamento com menos poder de processamento que uma torradeira a troco de paçoquinha e chiclete, e os possuidores deste equipamento da ultima geração não se decepcionaram.
Seaquest era um excelente jogo.
Pra época é claro.
O jogo funciona da seguinte forma:
Você controla um submarino High Tech, que mais parece um peixe, e atira em todas as coisas que se movem no mar, como peixes e outros submarinos respectivamente.
O tempo inteiro você deve resgatar alguns mergulhadores avulsos enquanto acaba com a vida marinha. Não me pergunte porque diabo você deve fazer isto, mas provavelmente faz para satisfazer um fetiche maluco de alguém que certamente irá querer comer sua bunda pelo menos três vezes na sua vida. Isso se já não tiver conseguido duas.
Finalmente uma bunda!
O submarino possui um medidor de oxigênio, e quanto mais tempo você fica embaixo da água, mais esse medidor esvazia, e quando chega ao final, o submarino simplesmente explode, provavelmente porque o capitão paçoca prefere explodir o submarino a morrer asfixiado.
Para não deixar o capitão paçoca explodir, você deve ir até a superfície restaurar a barra de oxigênio.
Mas se por um acaso, você ir até a superfície e não tiver com nenhum mergulhador a bordo, o submarino explodirá na superfície. Provavelmente o capitão paçoca prefere explodir o submarino a ter que encarar a perigosa superfície sozinho.
Como os mergulhadores não são idiotas o suficiente para voltar pro fundo do mar com você, eles dão no pé antes mesmo do submarino encher os tanques de oxigênio.
Como eles vão embora, ninguém sabe, sendo assim, um dos mistérios de Seaquest juntamente com o mistério do porque os peixes mudam de cor cada vez que o submarino vai até a superfície.
Mas eles não apenas mudam de cor, mas como ficam mais velozes e mortais.
Bom, mortais não, pois desde o inicio, basta encostar em algo que se move na tela alem do submarino, que ele explode. Provavelmente porque o capitão paçoca estava checando uma revista pornô quando acidentalmente aperta o botão de autodestruição.
Outra coisa que me incomoda, é que sempre que você mata o objeto não identificado que está perseguindo o mergulhador, o maldito começa a correr de você. Não sei se ele corre porque estou atirando nele, ou se ele realmente está com medo porque sabe das coisas que o aguardam dentro do submarino.
Mas Seaquest também possuía seus dotes.
Um ponto positivo do jogo, é que ele usava bem o áudio do Atari que era tão potente quanto aqueles cartões que toca uma musica quando você abre pra ler o que ta escrito.
Pensando bem o cartão era mais potente. Mas enfim, não existia musicas no Seaquest.
Os únicos sons eram os tiros, sinal de alerta do oxigênio, explosões e toda a papagaiada que um jogo de 1983 merece ter.
Seaquest também foi um dos responsáveis pelo aumento das vendas do controle de alavanca do Atari, pois o jogo era difícil pra porra.
Cada vez que você levava o submarino para a superfície, os seres do mar ficavam mais putos, e começavam a ir pra cima de você com tudo.
No inicio você consegue desviar e matar a maioria, mas depois eles se multiplicavam como Gremlins e fazia com que seu submarino começasse a se mover mais devagar.
Com isso as pessoas que possuíam um conhecimento eletrônico mais apurado que um guaxinim, pensavam que quanto mais força exercesse em cima da alavanca do Atari, mais rápido o submarino se moveria, e com isso o mercado logo sentiu uma necessidade absurda de produzir mais controles para que pudesse suprir todas as pessoas possuidoras de uma copia do Seaquest.
Minha mãe mesmo quebrou uns três controles.
Acredito que Seaquest foi baseado em uma serie de TV que se chamava Seaquest, ou Viagem ao Fundo do Mar, que foi o nome que utilizaram aqui no Brasil.
A serie narrava as aventuras da tripulação do Seaview que era um submarino High Tech, que colocava os malditos tripulantes enfrentando monstros marinhos, alienígenas e outros ícones de sucesso dos anos 60, que foi a época de sua produção.
Mas diferente dos jogos atuais, os jogos de antigamente dependiam de nossa imaginação para possuir um enredo que faria com que todo o jogo tivesse sentido. Como os possuidores de Seaquest tinham certa dificuldade para imaginar, a serie de TV fez esse papel, poupando assim o esforço para encontrar um motivo pra jogar.
Os outros 90% jogavam apenas para conseguir uma pontuação alta o suficiente para se gabar entre os amigos.
Não sei se Seaquest tem um final como River Raid tem, ao completar um milhão de pontos, pois o máximo que consegui em Seaquest foi míseros 40.600 pontos.
Mas se você quiser tentar a sorte, não precisa ter um Atari.
Basta clicar aqui, que seu navegador que tem pelo menos 300 vezes mais potencia que um Atari, rodará Seaquest sem slowdowns.
E é isso!.
Seaquest pode não ser o melhor jogo do mundo, mas com certeza ainda vive na memória de muitas pessoas.
Seja pela dificuldade desumana ou pelo fato de ter sido responsável pela troca de vários controles de Atari através do mundo.
Até a próxima!








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